Ranicultura ganha cada vez mais espaço no Brasil

As características nutricionais da carne, bem como seu sabor diferenciado, tornam a rã um prato sofisticado que já possui considerável aceitação gastronômica no país

A ranicultura é um ramo da aquicultura que está em crescimento no Brasil. Pesquisas têm apontado características da rã que podem torná-la ainda mais rentável ao produtor. Sua carne é muito saborosa e possui substâncias que auxiliam alguns tratamentos alérgicos e de doenças gastrointestinais. Restaurantes sofisticados são os principais consumidores dessa iguaria. Sua pele pode ser amplamente comercializada, já que possui efeito cicatrizante, especialmente em tratamentos de queimadura, e pode ser transformada em couro. O óleo da rã também fornece bom índice lucrativo ao criador, pois constitui a fórmula de alguns medicamentos e cosméticos.

Como ser um ranicultor

Visando suprir a crescente demanda por informações tecnológicas a respeito da criação de rãs, o CPT – Centro de Produções Técnicas elaborou o curso Criação de Rãs: Novas Tecnologias, coordenado pelo doutor Samuel Lopes Lima, ex-professor da UFV – Universidade Federal de Viçosa e responsável pelo desenvolvimento de várias das principais técnicas usadas no Brasil. O curso é dividido entre os seguintes tópicos: ciclo de vida das rãs, setores e instalações de um ranário, técnicas de manejo, linhagem monossexo e caráter albino, sistemas de produção, abate e considerações sobre o mercado – novas alternativas para ranicultura.

Ranicultura no Brasil

Rã em período de metamorfose

A criação de rãs no Brasil tornou-se expressiva somente em meados da década de 90, devido ao investimento em pesquisas para que novas técnicas fossem desenvolvidas. Nessa época também começaram a ser realizados alguns eventos que contribuíram significativamente com a disseminação de informações relevantes sobre o processo de criação de rãs. O ENAR – Encontro Nacional de Ranicultura foi o mais importante deles, reunindo técnicos, pesquisadores e produtores de todo o país. Foi a partir desse momento que houve a necessidade de criar cursos para preparar as pessoas para lidar com esse campo da aquicultura.

Instalações da ranicultura

As instalações do ranário são divididas em setores (reprodução, girinos e recria) e cada setor é construído segundo as intenções e as condições financeiras do técnico em ranicultura. Lima explica que cabe a ele determinar que tipo de construção oferecerá mais conforto térmico às rãs. A temperatura ideal para a criação é de 16°C e a altitude local deve ser inferior a 600 m do mar. No entanto, tecnologias avançadas permitem que o ambiente seja devidamente equipado para atender às necessidades dos animais. Assim, ranicultores com alto poder aquisitivo não terão problemas caso queiram criar rãs em lugares com características desfavoráveis ao bem estar dos animais.

Setores do ranário

Setores de reprodução
– Baia de mantença: onde as rãs são mantidas o ano todo;
– Baia de acasalamentos: destinada à reprodução e à desova.

No momento da reprodução e da desova, a rã é transferida da baia de mantença para a baia de acasalamentos

Setores de girinos
– Tanque de incubação dos ovos: aquários pequenos que abrigam os anfíbios desde o desenvolvimento embrionário até a fase de larva;
– Tanque de crescimento e metamorfose: aquários maiores nos quais os animais são mantidos desde a fase de girino até a metamorfose.

Setores de recria
– Baia de recria inicial: recipiente que aloja as rãs nos primeiros 20 a 30 dias de vida;

Ciclo de vida das rãs

O ciclo de vida das rãs independe do ambiente, ou seja, elas passam exatamente pelos mesmos processos de crescimento na natureza ou no criatório. No entanto, quando mantidos em cativeiro, os animais podem crescer mais rapidamente, dependendo das condições oferecidas pelo criador. Lima ressalta que o ranicultor deve preocupar-se não apenas com o desenvolvimento acelerado mas também com um índice baixo de mortalidade e de gasto com a alimentação dos anfíbios.

Por Camila Guimarães Ribeiro

Leia mais: http://www.cpt.com.br/cursos-criacaodepeixes/artigos/ranicultura-ganha-cada-vez-mais-espaco-no-brasil#ixzz44jX4udX9

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